sábado, 18 de janeiro de 2014

Férias mais baratas: onde ficar?

Quando se trata de escolher onde é que deitaremos o corpo ao fim de um árduo dia de passeio, a coisa pode fiar bastante mais fino para muitos. Mais do que na escolha do transporte ou, até, do percurso, o alojamento é algo que mexe com a imagem que as pessoas fazem de si mesmas. Há quem se dispa de preconceitos sociais (e económicos), há quem se agarre a eles como se disso dependesse a sua felicidade e há, ainda, aqueles que acham que as férias, por serem uma altura "diferente", exigem condições, também elas, diversas das que se tem no dia a dia. É algo que vai com a personalidade de cada um. E o problema torna-se ainda mais complicado quando o "um" se torna "vários". Viajar sozinho ou acompanhado pode mudar completamente  os parâmetros segundo os quais selecionamos o alojamento.

Avalie bem as suas necessidades

Antes de começar a procurar os sítios para dormir, consciencialize-se das vontades de quem vai consigo. Não há amigos ou namoradas todos iguais e os padrões de conforto exigíveis mudam radicalmente de pessoa para pessoa. As mulheres são mais exigentes no que toca à higiene e à privacidade; as pessoas de maior idade são mais ciosas no que toca ao sossego. Fale bem com os que o acompanharão e estabeleça - de forma inequívoca -, quais os mínimos a cumprir já que reclamações durante uma viagem podem ser o fim de umas férias (e até de uma bela amizade). Tal como no casamento, quem tiver algo a dizer, que o diga logo; senão, que se cale para sempre... Se for sozinho, a parte da "negociação" é, obviamente, para saltar.

Uma vez estabelecida a linha base de conforto e partindo do princípio de que esta é bastante "flexível" (para baixo), é altura de entrar em pormenores práticos. Como poupar no alojamento?


Que tipo de alojamento escolher?

Esqueça os hotéis. A menos que acredite em milagres ou que vá para um local estupidamente barato (algo que as diferenças cambiais podem fazer acontecer), os estabelecimentos daquele tipo são para outra divisão de turismo. E se a existência de hotéis de uma ou duas estrelas o fizer pensar que é possível poupar ficando nestes locais, desengane-se: um hotel é sempre mais caro do que, por exemplo, um albergue. Para além disto, um hotel de baixa qualidade (é o que as estrelas indicam) pode estar associado a mau ambiente, falta de higiene e - até -, de segurança. Locais destes, só em último recurso. (leia uma boa história, aqui)

Quais são, então, os meus conselhos? Albergues e parques de campismo. Podia falar de pensões, B&B ("Bed and Breakfast", em Inglaterra - mas mais conhecidos como... "quartos", por cá), residenciais, apartamentos, etc. mas, isso tornaria fastidioso este texto (assumindo que não o está sendo, já), e, no fim, acabaria sempre por voltar ao mesmo: albergues e parques de campismo.

Soa-lhe mal a palavra "albergue"? Imagina gente pobre e vagabunda? Uma sopinha sendo servida a tipos que não tomam banho há dias? Bem... a parte do banho é lá com cada um mas, garanto-lhe que a má conotação que o termo "albergue" parece ter ganho em Portugal é coisa relativamente recente e fruto de perfeita parolice. As agora chamadas "Pousadas de Juventude" chamavam-se, antes, "Albergues de Juventude" e ainda hoje o cartão que lhes dá acesso é conhecido como "Cartão de Alberguista". No Brasil, o termo mantém-se e eu faço questão de também o usar. Mas, se para si "hostel" parecer melhor, então, faça a tradução mentalmente, cada vez que aqui ler "albergue".

A vantagem dos albergues é o preço. Uma cama num dormitório pode ficar em qualquer coisa como €11 por noite. E há boas hipóteses de isto incluir um pequeno almoço. Quanto mais camas tiver um dormitório, mais barata fica a dormida. É tudo uma questão de jogar com as diversas ofertas que todos os albergues têm e que podem incluir quartos privados com ou sem casa de banho (nestes último casos, já será de comparar preços com hotéis medianos).

O problema dos albergues é a necessidade de partilha de um espaço com estranhos. Isto pode tornar-se uma mais valia (a possibilidade de conhecer gente de tantas origens), mas não há como esconder que também pode ser desagradável. Não se pode ter tudo...

Para procurar um albergue, vá aos seguintes siteswww.hihostels.comwww.hostelworld.com

Já os parques de campismo, têm a vantagem de permitir mais privacidade (a tenda é nossa e só nossa) - eventualmente, também ficarão mais baratos -, mas a partir daí, é só desvantagens: costumam ficar fora de mão, estamos expostos aos elementos e é pouco prático andarmos com a tenda atrás, entre deslocações. No entanto, para permanências prolongadas, o campismo pode compensar.

Há hoje um tipo "radical" de alojamento a que chamam o "couch surfing" e que consiste em dormir num sofá em casa de alguém - um estranho -, que oferece o dito (sim, o custo é zero), a quem quiser aproveitar. Como dizia o outro, "não condeno, mas não é para mim...". No entanto, se você estiver disposto a esta autêntica lotaria, pode sempre tentar a sorte aqui: www.couchsurfing.org


Não desista

Como vê, dormir fora pode não lhe custar os olhos da cara nem ser impeditivo de sair de casa. Nunca deixe que alguém lhe queira roubar o mundo com base em preconceitos relativos a conforto ou custos. Se não arranja companhia disponível para viajar poupando, não hesite: vá sozinho!

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